Contexto
O Faro nasceu de uma parceria improvável, de um lado, o chef Ronny Peterson, já reconhecido em Brasília pelo Aroma, um dos 50 melhores restaurantes do Brasil segundo a revista Exame. Do outro, o empresário Diogo Salim, proprietário do grupo Unique Family Fitness Club, que quis trazer para o coração de Brasília um restaurante à altura do resort que já geria.
Bruna e Fabiano já haviam trabalhado com o grupo Unique durante alguns anos. Foi essa relação de confiança que levou Diogo a chamar a 2e1 para um projecto diferente de tudo o que tinham feito juntos até então: criar, do zero, a identidade de um restaurante de alta gastronomia.
Não havia marca. Não havia nome. Havia uma visão muito clara do que queriam construir: um oásis de tranquilidade no centro de Brasília, com gastronomia moderna de alma brasileira, num espaço de mais de 16.000 metros quadrados integrado com a natureza.
A questão era como transformar essa visão numa marca que a sustentasse.

O desafio
Um restaurante de alto padrão não vive apenas da comida. Vive da experiência total: o que o cliente sente quando chega, o que lê no menu, o que vê nas paredes, o que associa àquele espaço quando o recomenda.
O Faro tinha dois fundadores com perfis e reputações muito distintos. Tinha uma arquitectura pensada ao milímetro pela arquitecta Flávia Nars, com madeira, vidro e paisagismo assinado por Marina Pimentel. Tinha uma cozinha que prometia fusão entre técnicas mediterrânicas e ingredientes do cerrado brasileiro. E tinha uma essência aromática criada especialmente para o espaço.
O que ainda não tinha era uma linguagem que unificasse tudo isso. Uma marca capaz de comunicar sofisticação sem arrogância, brasilidade sem folclore, e uma experiência sensorial que começasse muito antes de o cliente sentar à mesa.
O risco era real. Sem uma identidade forte, o Faro seria apenas mais um restaurante bonito. Com ela, podia ser uma referência.
A intervenção
O trabalho começou pelo princípio: o nome. O briefing girava em torno de conceitos como olfato, rastro, memória afetiva, busca, aromas. Seguir o cheiro da comida como quem segue uma pista. A palavra surgiu com naturalidade: Faro. Em português, ter bom faro é saber encontrar o que procura. É instinto afinado. É presença de espírito.
O nome resolveu o posicionamento antes de qualquer visual. A partir daí, o trabalho de identidade visual seguiu a mesma lógica: cada elemento tinha de ter uma razão de ser, não apenas uma função decorativa.
O símbolo da marca, três linhas onduladas que formam o “F” do logotipo, representa o rastro dos aromas que guiam o cliente até à experiência. Não é uma ilustração genérica: é um conceito com direção. As mesmas linhas foram pensadas desde o início para funcionar como elemento versátil em sinalização, louças, estampados, pins e decoração, criando reconhecimento de marca em cada ponto de contacto.
A paleta de cores, verde escuro, verde claro e dourado, foi escolhida em diálogo com o projeto arquitetónico. Os tons amadeirados e terracota da decoração guiaram a criação de um padrão cromático em harmonia com o espaço. O verde evoca natureza, frescor e brasilidade; o dourado traz sofisticação e maturidade.
A tipografia do logotipo foi desenhada de raiz, com extremidades que alternam ângulos retos e curvas, espelhando o equilíbrio entre a solidez da marca e o movimento do símbolo.
Concluída a identidade, o trabalho não parou. A 2e1 desenvolveu o brandbook completo com regras de aplicação para todos os suportes, o cardápio impresso com definição de materiais, layouts para uniformes de cozinha e de sala, um sistema de sinalização próprio com iconografia criada de raiz, e peças complementares como almofadas, pins e o projeto de letra-caixa para a fachada.
Cada peça foi pensada para reforçar a mesma ideia: a experiência do Faro começa muito antes do primeiro prato.
O que mudou
O Faro abriu em agosto de 2023 com uma noite exclusiva para convidados e foi recebido de imediato como referência gastronómica em Brasília. A imprensa especializada cobriu o lançamento. O ambiente foi descrito como sofisticado, harmonioso e coerente.
A identidade visual fez o que uma boa marca deve fazer: tornou-se invisível para o cliente, e indispensável para a experiência.
Do prato à fachada, da roupa da equipa ao padrão nas almofadas, o Faro comunicava um posicionamento consistente. Quem entrava percebia onde estava, o que estava a viver e porquê valia a pena recomendar.
O restaurante consolidou-se como um dos espaços mais sofisticados de Brasília, exatamente como os fundadores tinham imaginado.
Mais de dois anos depois da inauguração, o sistema de marca criado pela 2e1 continua a ser a referência visual do Faro em todos os canais de comunicação. Redes sociais, menu, uniformes, sinalização: tudo segue os mesmos padrões definidos antes de o restaurante abrir portas. Uma marca que não precisou de ser revista porque foi construída para durar.
Crédito imagens e vídeo: Faro Restaurante
