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Como transformámos um produto técnico numa proposta clara para um mercado novo.

Cliente

Comunix

Sector

Tecnologia

Mercado

Brasília, DF, Brasil

O que fizemos

  • Service Design

Projecto

2021

Contexto

A Comunix é uma empresa brasileira especializada em soluções de contact center: software de voz, telefonia e gestão web para centrais de atendimento de grandes empresas e organismos públicos. Em 2021, tinha um historial sólido, clientes relevantes e um produto tecnicamente maduro.

O problema não era o produto. Era o momento e a trajectória.

A empresa queria crescer para um novo segmento, as pequenas e médias empresas, mas não sabia exactamente como. O processo comercial era inteiramente reactivo: a Comunix respondia a quem chegava, mas nunca ia ao mercado de forma estruturada. Não havia prospecção activa, não havia equipa de vendas formada, não havia clareza sobre o tamanho real do mercado que queriam conquistar.

Foi neste contexto que um dos sócios, contactou a 2e1.

O desafio

A expansão para PMEs levantava perguntas que a empresa não conseguia responder sozinha: como se apresentar a um público diferente dos grandes clientes habituais? Quando era o momento certo para avançar? E onde, exactamente, estava o potencial desse mercado?

Por baixo dessas perguntas havia um problema maior, que só ficou visível durante o trabalho: os directores da empresa não tinham uma visão partilhada sobre o momento que estavam a viver, nem sobre para onde queriam ir.

Cada um tinha a sua leitura do negócio, das prioridades e do futuro. Isto afectava tudo: o discurso comercial, os materiais, o posicionamento, a forma como a empresa se apresentava a clientes, a investidores e a potenciais parceiros.

Havia também uma ambiguidade de identidade. A Comunix operava num espaço entre empresa de desenvolvimento de software e provedora de soluções, sem uma resposta clara sobre qual das duas era. Esta indefinição tornava difícil comunicar com precisão, especialmente para públicos que não conheciam o sector.

A intervenção

A 2e1 utilizou uma metodologia de service design para estruturar o trabalho. O objectivo era colocar o cliente no centro de tudo e construir a estratégia a partir do que o mercado efectivamente precisava, não do que a Comunix assumia que precisava.

O trabalho teve quatro fases.

Pesquisa. Analisámos mais de 40 empresas, entrevistámos 15 de segmentos diferentes e mapeámos os principais concorrentes. Fizemos entrevistas contextuais com clientes actuais da Comunix e potenciais clientes seleccionados em conjunto. O objectivo era perceber necessidades reais, emoções, expectativas e contexto de decisão, não apenas dados de mercado.

O que encontrámos confirmou algumas suposições e desfez outras. Os factores determinantes na decisão de compra eram o preço, a agilidade, a confiabilidade e a modularidade da solução. O processo de venda da Comunix era reactivo e a presença digital estava subaproveitada. Não existia um portefólio estruturado por cliente e segmento, nem materiais de apresentação adequados.

Análise e síntese. Utilizámos a matriz CSD, certezas, suposições e dúvidas, para colocar o modelo actual à prova. Criámos personas com base nas entrevistas e construímos um mapa de jornada que permitiu visualizar a experiência de ponta a ponta: onde o serviço funcionava, onde falhava e onde havia margem para melhorar.

Estratégia. Com base nos insights recolhidos, desenvolvemos um mapa de valor que cruzou os perfis de cliente com o que a Comunix tinha para oferecer a cada um. Isto permitiu clarificar o posicionamento e definir o que devia ser comunicado a cada audiência.

Implementação. Construímos um service blueprint com todas as actividades do processo de entrega, visíveis e de backoffice. A partir daí, criámos um mapa de comunicação com os canais adequados, a linguagem verbal e visual certa para cada público, e um conjunto de KPIs para medir o sucesso ao longo do tempo.

O que mudou

A Comunix saiu do projecto com um discurso novo, para o mercado de PMEs.

Mas o resultado mais significativo foi outro.

Pela primeira vez, os directores da empresa partilhavam a mesma leitura: do momento que a empresa vivia, do que tinha construído até ali e, principalmente, do caminho a seguir. A visão deixou de ser individual e tornou-se colectiva. Isso mudou a forma como a empresa se apresentava ao mercado de consumidores, a investidores e a parceiros estratégicos.

Com uma identidade mais clara e uma estratégia com direcção definida, a Comunix continuou a inovar. Nos anos seguintes, incorporou soluções com uso de inteligência artificial na sua oferta, reforçando o posicionamento de empresa que antecipa o mercado em vez de reagir a ele.

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